terça-feira, 30 de março de 2010

A educação inclusiva na perspectiva de educação para a diversidade

     As políticas educacionais que norteiam a educação têm em sua base ações de origem social, cultural e até mesmo política. Nesta postagem iremos discutir os paradigmas sobre a educação inclusiva. Primeiramente devemos entender como surgiu o conceito de educação inclusiva e como ele se deu ao longo dos tempos.
     Somente em meados do século XX que a educação numa perspectiva de inclusão começou a ser discutida pela sociedade, anteriormente as pessoas com deficiência eram vistas como incapazes e doentes, dentre outras características pejorativas.
     Com o advento da Segunda Grande Guerra Mundial muitos soldados voltavam para suas casas mutilados por acidentes de guerra, começou a partir daí a preocupação e a mobilização social para com as pessoas com deficiência com o intuito de garantir a integração delas no convívio social.
     Essa consciência não se deu com muita facilidade e reciprocidade, uma vez que ela estava mais voltada para a pessoa com deficiência do que para a conscientização da comunidade em geral. Uma vez que a mudança comportamental de uma sociedade não acontece apenas por força de leis e sim por sensibilização, mobilização e convencimento, houve de inicio uma certa dificuldade para se conseguir a implementação dessas idéias.
     A construção de uma sociedade realmente inclusiva perpassa não somente pelas esferas governamentais, mas também, e principalmente por questões referentes á formação do cidadão, de convivência na diversidade e de respeito e valorização das diferenças.
     Hoje em dia o termo inclusão está bastante difundido, porém para que a inclusão realmente acontece não basta apenas “colocar” o aluno com necessidades especiais dentro da sala de aula. Deve-se criar condições para que esse aluno possa realmente usufruir destas condições.

A educação ambiental dentro de uma perspectiva de educação para a diversidade

A Educação Ambiental deve visar à formação de alunos críticos, capazes de refletir, questionar e se posicionar diante de problemas que, direta ou indiretamente, lhes dizem respeito.
     Desde as primeiras civilizações o homem interage com tudo que o cerca, seja no meio físico ou com outros seres vivos. Dentre estas interações está a interação entre o homem e o meio-ambiente. O homem retira do meio-ambiente tudo aquilo que ele precisa para a sua cômoda sobrevivência.
     Porém o homem se esquece que esta interação ocorre a partir de uma interdependência, ou seja, o homem necessita do meio ambiente para sobreviver, mas, o meio-ambiente também necessita do bom senso do homem afinal o que se vê atualmente é uma interação de degradação. O homem criou uma interação pautada no individualismo, na falta de solidariedade, na competitividade, pouco se importando com o futuro. É a partir deste raciocínio que chegamos então na idéia de sustentabilidade.
     Os professores devem estar atentos às condições presentes no cotidiano da escola, da comunidade em que os alunos estão inseridos, explorando-a criticamente. Os projetos de educação ambiental não devem somente serem executados apenas na semana de meio ambiente mas sim durante todo o processo educacional. Transformando a educação ambiental em um processo interdisciplinar e transdiciplinar.
     Os alunos devem se apropriar do conceito de educação ambiental como uma ferramenta para transformação da sociedade que temos hoje. O consumismo desenfreado é um dos principais problemas relacionado à sustentabilidade já que os recursos naturais são finitos e com o consumo aumentando cada vez mais os conceitos de reaproveitamento, reciclagem e reutilização devem ser disseminados.
     Além desses conceitos deve-se salientar as questões relacionadas a preservação e recuperação ambiental.
     Para alunos de 1ª a 4ª série a primeira atividade relacionada a educação ambiental que se pode fazer é a construção de um terrário, nesta atividade os alunos podem verificar que a natureza é um meio totalmente equilibrado e que qualquer alteração pode causar o desaparecimento de espécies animais e vegetais.
     O terrário simula uma mini-biosfera contando com todos os fenômenos naturais que podem ser observados pelas crianças tais como evaporação da água, precipitação da chuva, evolução dos animais e plantas presentes no terrário e que qualquer influência de fatores que possam interferir no equilíbrio desse mini-sistema vem a causar sérios impactos ao meio-ambiente do terrário.
     Primeiramente o professor deve com a ajuda dos alunos, escolher qual ambiente ele deseja reproduzir no terrário, por exemplo, se for um ambiente seco deve-se colocar plantas que não precisem de muita água, se for um ambiente úmido deve-se escolher plantas que sejam resistentes a umidade, pode-se escolher também espécies animais que se adaptem bem ao ambiente do terrário. Esta atividade é bastante interessante para os alunos compreenderem como funciona o meio ambiente e como o equilíbrio entre diversos fatores é necessário para a manutenção da vida.
     Além disso, os alunos compreendem como é a formação do subsolo, além de poder visualizar todas as camadas do solo com a possível formação de um lençol freático no terrário. Assim eles podem compreender como acontece o processo de contaminação das águas subterrâneas quando o lixo doméstico e industrial é disposto em locais não adequados.
     Pode-se montar também um outro terrário evidenciando somente o problema da disposição do lixo em locais não adequados, assim o alunos podem visualizar o que acontece com o lençol freático. Para que o processo seja realmente observado pelos alunos pode recorrer ao uso de corantes para que eles percebam que realmente a água da chuva carrega as substâncias para o subsolo contaminando os lenços subterrâneos de água.

Educação e Sociedade

     O tema da postagem de hoje é sobre Educação e Sociedade. A relação entre a educação e a sociedade, ou melhor, entre a escola e a sociedade sempre foi discutida desde a criação das primeiras correntes pedagógicas no Brasil. A diferença encontra-se na forma como a relação escola-sociedade era vista e compreendida pela escola e até mesmo na forma como o Estado compreendia a educação.
     A educação no Brasil começou com a vinda dos Jesuítas no tempo da colonização, o objetivo da vinda dos jesuítas era promover uma “socialização dos índios”, ensiná-los a ler e escrever para compreenderem a palavra de Deus. Durante muito tempo esse foi o objetivo. Mas na verdade não era a única intenção incumbida já que junto com isso veio os costumes e a cultura portuguesa.
     Com a vinda da coroa portuguesa para o Brasil foram criadas as primeiras escolas de fato e os jesuítas foram expulsos do Brasil. As primeiras escolas foram responsáveis por formar e letrar os filhos dos portugueses que vinham para o Brasil trabalhar. É justamente desse ponto que começa a disparidade na educação brasileira. Eles eram os únicos que tinham direito a uma educação formal, cria-se a partir daí a educação de elite.
     Com o passar dos anos a idéia de que a educação deveria ser para todos começou a ser difundida, apesar dessa corrente ideológica ocorrer de forma ainda muito amena. A idéia era de educação para todos, porém, nem todos possuíam meios para proporcionar aos seus filhos esta educação. Isso porque no começo assim como ainda é hoje, existia uma disparidade muito grande entre pobres e ricos, entre nobreza e clero. A classe humilde, trabalhadora, não era ainda dotada de condições de freqüentar uma escola.
     Com a revolução industrial e com a chegada da industrialização no Brasil a idéia de uma escola para todos começou a tomar força. Assim criou-se a educação para formar cidadãos que ao menos fossem capazes de utilizar a leitura e a escrita para o exercício do trabalho e também para exercer o direito de voto. E assim uma educação para todos foi se difundindo.
     Mesmo com o avanço na educação sempre existiu uma relação de poder entre estado e população. O estado utilizava-se da educação para exercer o seu controle perante a sociedade. O ensino era meramente expositivo, ou seja, tradicional. O professor representando o Estado tinha plenos poderes, a escola era tida como salvadora e regeneradora da sociedade. Ficava a cargo da escola tentar impor-se perante a sociedade e assim transformá-la de acordo com as “vontades do Estado”.
     Houve um tempo em que disseminou-se a idéia de que a família e a sociedade não deveriam participar dos processos educacionais, pois o que se construía na escola durante o tempo em que os alunos permaneciam nela se destruía nas demais horas que os alunos passavam fora da escola junto a seus familiares. De certa forma a sociedade foi meio que afastada do processo educacional centrando a educação no Estado perante a presença do professor.
     Novas correntes pedagógicas foram aparecendo, a idéia de Escola Nova, uma escola mais reflexiva veio para “substituir” a escola tradicional, a idéia de uma participação mais ativa entre sociedade e escola, entre professores e alunos, onde o aluno participa ativamente da construção do conhecimento por ser o ator principal do processo de ensino e aprendizagem. A pedagogia era nova, mas a escola ainda era tida como regeneradora da sociedade.
     A questão abordada não se restringe somente só a evolução da educação e a relação entre educação e sociedade, mas também, a relação entre professor-estado-sociedade.
     Diga-se que o professor deve reencontrar a sua identidade, desenvolveu-se com o passar do tempo um processo de depreciação da identidade do professor, o professor já não sabe mais qual o seu papel e qual o sentido da sua prática pedagógica.
     A identidade do professor entrou em crise quando se tirou do professor o direito de exercer a sua função por completo. O estado passou cada vez mais a querer controlar o processo de ensino e aprendizagem utilizando para isso técnicas de administração que são usadas e funcionam perfeitamente em processo racionais, mas, não tem o mesmo sucesso em relações onde se tem a dinâmica entre pessoas que pensam muitas vezes diferentes e possuem necessidades distintas. O professor se acostumou a aceitar “pacotes” pedagógicos prontos e acabados se limitando a implementá-los sem nenhuma ação crítica em torno deles.
     Para recuperar a identidade o professor deve voltar a ter o controle do processo educacional, pois ninguém melhor do que o professor para saber as necessidades de seus alunos. Deve-se também garantir a relação professor-sociedade para que a figura do professor volte a se tornar destaque novamente e assim o professor possa ser novamente valorizado, pois o que se criou atualmente é uma dialógica estado-sociedade deixando a figura do professor de lado.
     A escola deve se interagir com a sociedade estando cada vez mais próxima dela, mas quem deve se tornar o interlocutor desse processo é o professor. O professor é o grande mediador desse processo e deve ser reconhecido por isso, passando a ser mais valorizado. O projeto político pedagógico da escola que deve ser feito em colaboração com todo o corpo docente é uma forma de garantir a integração escola-professor-sociedade, pois é o modo como a escola pode executar a sua autonomia.

É o professor que ensina ou é o aluno que aprende

     Gosto muito de uma frase de Guimarães Rosa “Mestre não é aquele que ensina, mas sim aquele que de repente aprende”. Esta frase pode ser transposta e a partir dela podemos começar o nosso raciocínio acerca da reflexão proposta.
     Dentro do processo de ensino aprendizagem não existe uma hierarquia pré-definida, o professor não é detentor de todo o conhecimento e o aluno não é um simples receptor de tudo aquilo que o professor tem a passar. Tanto aluno como professor participam ativamente do processo de construção do conhecimento, ambos aprendem ou apreendem e também ensinam.
Na educação do século 21 não se pode conceber a educação como algo passivo, mas sim como um processo em constante construção e é claro bastante dinâmico. Atualmente não se pensa em educação sem a participação ativa e em sincronia entre aluno e professor. O aluno participa ativamente da construção do seu próprio conhecimento, o aluno busca, pesquisa, se informa e também informa. O professor media as ações, contribuiu para o andamento do processo de ensino-aprendizagem, ensina, mas também aprende.
     O professor também aprende, não poderia ser diferente, pois o aluno não é uma tábula rasa, o aluno possui consigo conhecimentos ao qual classificamos como conhecimentos prévios, conhecimentos estes que podem ser formais ou informais, produtos do senso comum, da convivência em sociedade ou até mesmo oriundos das mais diversas fontes de informação e de produção de conhecimento.
     Na educação do século 21 o professor não apenas ensina e o aluno aprende, há neste processo uma intensa e dinâmica troca de informações ou conhecimento. Ambos aprendem, ambos ensinam. E dessa forma é construído novos saberes e é dessa forma que os saberes são compartilhados.
     O professor que pensa e age dessa forma com certeza terá bons frutos em sua prática pedagógica.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Educação para à Diversidade

Quando abordamos o conceito de diversidade partimos do pressuposto que atualmente devemos estar preparados para a convivência em diversidade, devemos ser capazes de conviver com pessoas que pensam e agem de maneira diferente de nós.

Dentro do conceito de educação na diversidade não podemos deixar de discutir um assunto que atualmente se tornou uma polêmica entre professores: a inclusão. Hoje em dia a palavra incluir parece estar na moda, dizem que a inclusão é a única forma de acabar com as desigualdades na educação e que agindo dessa forma todos terão as mesmas oportunidades. Mas será que essa inclusão na verdade não se tornaria uma exclusão? Será que o sistema está preparado para funcionar dessa forma? Ou melhor, será que o sistema conseguirá se adequar? Se isso acontecer quanto tempo demorará até que se chegue a um nível adequado de capacitação?

Esse tema é bastante oportuno, pois, nas escolas da rede estadual do estado de São Paulo já se encontram casos de inclusão dentro da sala de aula sem que o professor tenha se quer sido capacitado para isso. Como o professor deve agir com uma sala de 35 alunos, 35 pessoas que pensam diferentes, agem diferentes e entre elas uma com necessidade especial?

Já que um dos temas do nosso curso é a educação inclusiva e que dentro da unidade 1 do módulo 2 a educação inclusiva é citada, fica aqui uma reflexão. A inclusão funcionará realmente como uma inclusão ou se tornará uma exclusão? Será que assim os alunos com necessidades especiais terão realmente a oportunidade de aprender, de se desenvolver, seja intelectualmente ou como pessoa, cidadão?

Na minha opinião a inclusão não resolverá esse problema e de repente se tornará apenas mais um “peso” para o professor que muitas vezes tem que ser professor, pai, psicólogo... Essa é apenas a minha opinião, e é claro, por ser uma opinião pode com o tempo sofrer mudanças. Afinal estamos aqui todos com o mesmo intuito, aprender cada vez mais e nesse processo de aprendizagem podemos mudar nossas idéias, opiniões, etc.

Reflexões acerca da causa indígena

A colonização Européia proveniente principalmente de países como Portugal e Espanha deixou marcas extremamente significantes nos povos que já habitam as Américas, em especial a América do Sul. A este choque de etnias chamou-se de malecontro (Pierre Clastres 1982).

Diz-se que foi um choque de etnias, pois, os povos Europeus ao chegarem neste território atualmente conhecido como Brasil fez-se valer suas vontades tanto em relação a crenças, costumes como também na forma de organização, ou seja, no modo de viver politicamente e socialmente.

A colonização européia é caracterizada por sua violência sem limites contra os povos nativos, principalmente pelo fato de os colonizadores terem obrigado os colonizados a trabalharem como escravos para produzir aquilo que eles como “mandantes” necessitavam. Essa violência aconteceu também de forma simbólica através do ensino onde os europeus procuravam ensinar aos índios os conhecimentos que julgavam convenientes e necessários.

As primeiras escolas foram a Jesuítas, onde os padres jesuítas tinham por objetivo catequizar os índios e transformá-los em cidadãos através da evangelização. Distanciado de certa forma os índios de sua cultura.

Desde o Brasil colônia os índios passaram a contar com leis de proteção, mas na verdade o que sempre valeu foi os interesses da Coroa ou dos proprietários das terras. No Brasil os indígenas são considerados como povos e assim não podem ser incorporados como cidadãos já que possuem outra cultura e organização política e o Estado brasileiro não aceita a existência de nações dentro de seu espaço territorial que possuam e funcionem com regras diferentes das do Estado brasileiro.

Os indígenas sempre foram assim tratados como submissos, no império permitia-se ao índio continuar existindo como tal indefinidamente, enquanto na república o “ser cidadão” implica em “deixar de ser índio”. Os índios devem ser respeitados na suas diferenças étnicas e sociais. Atualmente muito ainda é debatido em relação aos direitos indígenas e muitas conquistas foram conseguidas.

A educação indígena passou por diversas modificações, na alfabetização indígena passou-se a dar valor as crenças e costumes locais além de ser ensinada a língua materna em conjunto com a língua portuguesa. O dia-a-dia das tribos passou a ser considerado de extrema importância no processo educacional, os professores passaram a conviver junto com os índios nas tribos e não mais em alojamentos construídos pela Funai. A proposta passou a ser transferida para os próprios índios para que eles assim pudessem recuperar a autonomia na gestão de suas próprias vidas e propagassem os ensinamentos aprendidos.

A escola indígena procurou-se adaptar à vida indígena, mesmo não sendo possível plenamente muitos avanços foram alcançados dando espaço para um diálogo acerca de um novo perfil que podemos chamar de sociedade brasileira.

Mesmo passando por grandes dificuldades e por correrem o risco terem sua população quase que inteiramente dizimada os indígenas ainda lutam por manter suas crenças e costumes que não são apenas o modo de vida do povo indígena, mas, também, de certa forma uma cultura que faz parte de uma forma ou de outra da sociedade brasileira. Algo que está enraizado já que o brasileiro é um povo tendo como origem diversas raças dentre elas a indígena. Os índios devem sim ter os seus direitos reservados, o direito a terra, o direito a educação indígena, o direito ao respeito as suas crenças e costumes. Porém tem-se que ressaltar que algumas atitudes provenientes da cultura indígena não são condizentes com a realidade que vivenciamos, o direito a vida, por exemplo, é algo inquestionável e nenhum humano seja ele índio ou não tem o direito de decidir pela vida do outro. Este é um relato apresentado no texto em que lemos e que mesmo fazendo parte da cultura indígena o que deve ser respeitado é o direito a vida.

Deve-se sim garantir os direitos indígenas desde que este direito não entre em conflito com todos os direitos humanos que foram ao longo de séculos garantido a custo de muita luta.

Acredito também que a educação indígena deve contemplar sim conhecimentos de seu povo que durante séculos vem sendo preservados de geração a geração. Porém devido a revolução tecnológica e cultural existente nos dias de hoje, os índios não estão totalmente inconscientes dessa realidade e de alguma forma isso vem influenciando em seu modo de vida, sendo assim eles não estão livres totalmente das influencias do meio externo. Essa problemática é difícil de ser resolvida e talvez nem seja, o que se pode garantir é que os costumes e a sua cultura não se perca no espaço e no tempo.

Referências

- Sujeitos e saberes da educação indígena / Sergio Augusto Domingues.
   UAB –SECAD – UNESP - Bauru