terça-feira, 30 de março de 2010

Educação e Sociedade

     O tema da postagem de hoje é sobre Educação e Sociedade. A relação entre a educação e a sociedade, ou melhor, entre a escola e a sociedade sempre foi discutida desde a criação das primeiras correntes pedagógicas no Brasil. A diferença encontra-se na forma como a relação escola-sociedade era vista e compreendida pela escola e até mesmo na forma como o Estado compreendia a educação.
     A educação no Brasil começou com a vinda dos Jesuítas no tempo da colonização, o objetivo da vinda dos jesuítas era promover uma “socialização dos índios”, ensiná-los a ler e escrever para compreenderem a palavra de Deus. Durante muito tempo esse foi o objetivo. Mas na verdade não era a única intenção incumbida já que junto com isso veio os costumes e a cultura portuguesa.
     Com a vinda da coroa portuguesa para o Brasil foram criadas as primeiras escolas de fato e os jesuítas foram expulsos do Brasil. As primeiras escolas foram responsáveis por formar e letrar os filhos dos portugueses que vinham para o Brasil trabalhar. É justamente desse ponto que começa a disparidade na educação brasileira. Eles eram os únicos que tinham direito a uma educação formal, cria-se a partir daí a educação de elite.
     Com o passar dos anos a idéia de que a educação deveria ser para todos começou a ser difundida, apesar dessa corrente ideológica ocorrer de forma ainda muito amena. A idéia era de educação para todos, porém, nem todos possuíam meios para proporcionar aos seus filhos esta educação. Isso porque no começo assim como ainda é hoje, existia uma disparidade muito grande entre pobres e ricos, entre nobreza e clero. A classe humilde, trabalhadora, não era ainda dotada de condições de freqüentar uma escola.
     Com a revolução industrial e com a chegada da industrialização no Brasil a idéia de uma escola para todos começou a tomar força. Assim criou-se a educação para formar cidadãos que ao menos fossem capazes de utilizar a leitura e a escrita para o exercício do trabalho e também para exercer o direito de voto. E assim uma educação para todos foi se difundindo.
     Mesmo com o avanço na educação sempre existiu uma relação de poder entre estado e população. O estado utilizava-se da educação para exercer o seu controle perante a sociedade. O ensino era meramente expositivo, ou seja, tradicional. O professor representando o Estado tinha plenos poderes, a escola era tida como salvadora e regeneradora da sociedade. Ficava a cargo da escola tentar impor-se perante a sociedade e assim transformá-la de acordo com as “vontades do Estado”.
     Houve um tempo em que disseminou-se a idéia de que a família e a sociedade não deveriam participar dos processos educacionais, pois o que se construía na escola durante o tempo em que os alunos permaneciam nela se destruía nas demais horas que os alunos passavam fora da escola junto a seus familiares. De certa forma a sociedade foi meio que afastada do processo educacional centrando a educação no Estado perante a presença do professor.
     Novas correntes pedagógicas foram aparecendo, a idéia de Escola Nova, uma escola mais reflexiva veio para “substituir” a escola tradicional, a idéia de uma participação mais ativa entre sociedade e escola, entre professores e alunos, onde o aluno participa ativamente da construção do conhecimento por ser o ator principal do processo de ensino e aprendizagem. A pedagogia era nova, mas a escola ainda era tida como regeneradora da sociedade.
     A questão abordada não se restringe somente só a evolução da educação e a relação entre educação e sociedade, mas também, a relação entre professor-estado-sociedade.
     Diga-se que o professor deve reencontrar a sua identidade, desenvolveu-se com o passar do tempo um processo de depreciação da identidade do professor, o professor já não sabe mais qual o seu papel e qual o sentido da sua prática pedagógica.
     A identidade do professor entrou em crise quando se tirou do professor o direito de exercer a sua função por completo. O estado passou cada vez mais a querer controlar o processo de ensino e aprendizagem utilizando para isso técnicas de administração que são usadas e funcionam perfeitamente em processo racionais, mas, não tem o mesmo sucesso em relações onde se tem a dinâmica entre pessoas que pensam muitas vezes diferentes e possuem necessidades distintas. O professor se acostumou a aceitar “pacotes” pedagógicos prontos e acabados se limitando a implementá-los sem nenhuma ação crítica em torno deles.
     Para recuperar a identidade o professor deve voltar a ter o controle do processo educacional, pois ninguém melhor do que o professor para saber as necessidades de seus alunos. Deve-se também garantir a relação professor-sociedade para que a figura do professor volte a se tornar destaque novamente e assim o professor possa ser novamente valorizado, pois o que se criou atualmente é uma dialógica estado-sociedade deixando a figura do professor de lado.
     A escola deve se interagir com a sociedade estando cada vez mais próxima dela, mas quem deve se tornar o interlocutor desse processo é o professor. O professor é o grande mediador desse processo e deve ser reconhecido por isso, passando a ser mais valorizado. O projeto político pedagógico da escola que deve ser feito em colaboração com todo o corpo docente é uma forma de garantir a integração escola-professor-sociedade, pois é o modo como a escola pode executar a sua autonomia.

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