quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Educação para à Diversidade

Quando abordamos o conceito de diversidade partimos do pressuposto que atualmente devemos estar preparados para a convivência em diversidade, devemos ser capazes de conviver com pessoas que pensam e agem de maneira diferente de nós.

Dentro do conceito de educação na diversidade não podemos deixar de discutir um assunto que atualmente se tornou uma polêmica entre professores: a inclusão. Hoje em dia a palavra incluir parece estar na moda, dizem que a inclusão é a única forma de acabar com as desigualdades na educação e que agindo dessa forma todos terão as mesmas oportunidades. Mas será que essa inclusão na verdade não se tornaria uma exclusão? Será que o sistema está preparado para funcionar dessa forma? Ou melhor, será que o sistema conseguirá se adequar? Se isso acontecer quanto tempo demorará até que se chegue a um nível adequado de capacitação?

Esse tema é bastante oportuno, pois, nas escolas da rede estadual do estado de São Paulo já se encontram casos de inclusão dentro da sala de aula sem que o professor tenha se quer sido capacitado para isso. Como o professor deve agir com uma sala de 35 alunos, 35 pessoas que pensam diferentes, agem diferentes e entre elas uma com necessidade especial?

Já que um dos temas do nosso curso é a educação inclusiva e que dentro da unidade 1 do módulo 2 a educação inclusiva é citada, fica aqui uma reflexão. A inclusão funcionará realmente como uma inclusão ou se tornará uma exclusão? Será que assim os alunos com necessidades especiais terão realmente a oportunidade de aprender, de se desenvolver, seja intelectualmente ou como pessoa, cidadão?

Na minha opinião a inclusão não resolverá esse problema e de repente se tornará apenas mais um “peso” para o professor que muitas vezes tem que ser professor, pai, psicólogo... Essa é apenas a minha opinião, e é claro, por ser uma opinião pode com o tempo sofrer mudanças. Afinal estamos aqui todos com o mesmo intuito, aprender cada vez mais e nesse processo de aprendizagem podemos mudar nossas idéias, opiniões, etc.

Reflexões acerca da causa indígena

A colonização Européia proveniente principalmente de países como Portugal e Espanha deixou marcas extremamente significantes nos povos que já habitam as Américas, em especial a América do Sul. A este choque de etnias chamou-se de malecontro (Pierre Clastres 1982).

Diz-se que foi um choque de etnias, pois, os povos Europeus ao chegarem neste território atualmente conhecido como Brasil fez-se valer suas vontades tanto em relação a crenças, costumes como também na forma de organização, ou seja, no modo de viver politicamente e socialmente.

A colonização européia é caracterizada por sua violência sem limites contra os povos nativos, principalmente pelo fato de os colonizadores terem obrigado os colonizados a trabalharem como escravos para produzir aquilo que eles como “mandantes” necessitavam. Essa violência aconteceu também de forma simbólica através do ensino onde os europeus procuravam ensinar aos índios os conhecimentos que julgavam convenientes e necessários.

As primeiras escolas foram a Jesuítas, onde os padres jesuítas tinham por objetivo catequizar os índios e transformá-los em cidadãos através da evangelização. Distanciado de certa forma os índios de sua cultura.

Desde o Brasil colônia os índios passaram a contar com leis de proteção, mas na verdade o que sempre valeu foi os interesses da Coroa ou dos proprietários das terras. No Brasil os indígenas são considerados como povos e assim não podem ser incorporados como cidadãos já que possuem outra cultura e organização política e o Estado brasileiro não aceita a existência de nações dentro de seu espaço territorial que possuam e funcionem com regras diferentes das do Estado brasileiro.

Os indígenas sempre foram assim tratados como submissos, no império permitia-se ao índio continuar existindo como tal indefinidamente, enquanto na república o “ser cidadão” implica em “deixar de ser índio”. Os índios devem ser respeitados na suas diferenças étnicas e sociais. Atualmente muito ainda é debatido em relação aos direitos indígenas e muitas conquistas foram conseguidas.

A educação indígena passou por diversas modificações, na alfabetização indígena passou-se a dar valor as crenças e costumes locais além de ser ensinada a língua materna em conjunto com a língua portuguesa. O dia-a-dia das tribos passou a ser considerado de extrema importância no processo educacional, os professores passaram a conviver junto com os índios nas tribos e não mais em alojamentos construídos pela Funai. A proposta passou a ser transferida para os próprios índios para que eles assim pudessem recuperar a autonomia na gestão de suas próprias vidas e propagassem os ensinamentos aprendidos.

A escola indígena procurou-se adaptar à vida indígena, mesmo não sendo possível plenamente muitos avanços foram alcançados dando espaço para um diálogo acerca de um novo perfil que podemos chamar de sociedade brasileira.

Mesmo passando por grandes dificuldades e por correrem o risco terem sua população quase que inteiramente dizimada os indígenas ainda lutam por manter suas crenças e costumes que não são apenas o modo de vida do povo indígena, mas, também, de certa forma uma cultura que faz parte de uma forma ou de outra da sociedade brasileira. Algo que está enraizado já que o brasileiro é um povo tendo como origem diversas raças dentre elas a indígena. Os índios devem sim ter os seus direitos reservados, o direito a terra, o direito a educação indígena, o direito ao respeito as suas crenças e costumes. Porém tem-se que ressaltar que algumas atitudes provenientes da cultura indígena não são condizentes com a realidade que vivenciamos, o direito a vida, por exemplo, é algo inquestionável e nenhum humano seja ele índio ou não tem o direito de decidir pela vida do outro. Este é um relato apresentado no texto em que lemos e que mesmo fazendo parte da cultura indígena o que deve ser respeitado é o direito a vida.

Deve-se sim garantir os direitos indígenas desde que este direito não entre em conflito com todos os direitos humanos que foram ao longo de séculos garantido a custo de muita luta.

Acredito também que a educação indígena deve contemplar sim conhecimentos de seu povo que durante séculos vem sendo preservados de geração a geração. Porém devido a revolução tecnológica e cultural existente nos dias de hoje, os índios não estão totalmente inconscientes dessa realidade e de alguma forma isso vem influenciando em seu modo de vida, sendo assim eles não estão livres totalmente das influencias do meio externo. Essa problemática é difícil de ser resolvida e talvez nem seja, o que se pode garantir é que os costumes e a sua cultura não se perca no espaço e no tempo.

Referências

- Sujeitos e saberes da educação indígena / Sergio Augusto Domingues.
   UAB –SECAD – UNESP - Bauru